terça-feira, 12 de junho de 2018

Miséria triplicada: pessoas em extrema pobreza saltam de 143 mil para 480 mil em um ano no Rio

O pesquisador Francisco Menezes, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), trabalhou, de forma inédita, os dados do IBGE referentes à pobreza e à extrema pobreza. O economista ficou perplexo com os números que lhe vieram à vista. Francisco, que também trabalha na ActionAid (uma instituição com sede Johannesburg, na África do Sul), viu-se particularmente impressionado com a situação do Rio de Janeiro. Segundo ele, comparando-se o aumento da pobreza e da extrema pobreza em nível nacional, nota-se que, no Rio, os indicadores têm um percentual ainda mais elevado que os graves resultados do país. Nesta entrevista ao JORNAL DO BRASIL, Francisco Menezes esquadrinha os números do IBGE.



Nas ruas, vê-se um contingente maior de pessoas sem casa; nos transportes, muito mais pessoas a pedir dinheiro. Os números do IBGE, de certa forma, traduzem o que salta aos olhos?

Certamente. Os números da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) vêm confirmando aquilo que todos nós presenciamos no dia a dia. No Brasil e no Rio de Janeiro, crescem aceleradamente a pobreza e a extrema pobreza.


O senhor poderia fazer a distinção entre uma e outra?

Entre diversas metodologias que apresentam números muito próximos, adota-se mais frequentemente aquela seguida pelo Programa Bolsa Família. A população em situação de extrema pobreza é a com rendimento domiciliar per capita de até R$ 70 e a em situação de pobreza de até R$ 140 referente a junho de 2011 e deflacionado/inflacionado pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para os meses de referência de coleta da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).


Como então os números se apresentam?

Com os dados divulgados em abril pelo módulo de rendimentos da Pnad-Contínua, chegamos a um número correspondente a 11,8 milhões de pessoas em extrema pobreza em 2017. Ainda não temos os dados do ano passado para o Rio de Janeiro. Mas, em 2016 no Rio, tivemos um contingente de 480.620 pessoas nessa condição de miserabilidade. O que é mais alarmante é que, levando-se em conta que em 2015 esse número era 143.865, percebe-se que em um ano esse número mais que triplicou.


O senhor tem uma ideia da causa do crescimento da extrema pobreza?


Vamos falar do Brasil e do Rio de Janeiro. No caso do Brasil, o enfrentamento da crise político-econômica dos últimos anos se deu pela via do pior receituário. A Emenda Constitucional 95, que estabeleceu o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, sintetiza o equívoco perpetrado sobre o conjunto de políticas públicas. Suas repercussões mais graves recaíram sobre a população pobre. Combinado com isso, o desemprego alcançou índices que não eram conhecidos no Brasil, tendo direta responsabilidade nesse processo de empobrecimento.


E quanto ao Rio de Janeiro?

No Rio de Janeiro, podem ser enumerados, além desses fatores acima citados, três de não menor relevância. O primeiro é mais óbvio. O desgoverno em nível estadual, em que se destaca a crise fiscal. Com ela, políticas públicas voltadas à população de baixa renda foram descontinuadas. Um exemplo: pouca gente conhece uma política pública como a do Busca Ativa. Trata-se de ir atrás de famílias mais carentes que não acessam às políticas a que teriam direito, como escola, Bolsa Família e saúde. Esse instrumento teve seu ritmo bastante diminuído.


Qual é o segundo fator?


Esse segundo fator se relaciona aos megaeventos, ou seja, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Antes deles, houve uma intensa mão de obra empregada na construção civil. Um exemplo foi o exército de pessoas empregado na obra do Maracanã. Só que todas essas intervenções relacionadas a esses dois grandes eventos obviamente não tiveram continuidade. A consequência foi o aumento do desemprego.


E quanto ao terceiro fator?


A Petrobras tem um peso particular para o Estado do Rio de Janeiro. O processo verificado a partir da operação Lava Jato paralisou atividades de porte na economia fluminense, haja visto o ocorrido com o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Ali, em Itaboraí, onde o empreendimento estava instalado, formava-se então uma espécie de nova região metropolitana, tamanha a dimensão do projeto. Nele, o investimento em si gerava milhares de empregos na construção civil e em toda uma cadeia subsidiária montada para lhe dar suporte. E aquela região também passou a ter, em função do Comperj, mais hotéis, pousadas, restaurantes, entre outros serviços, igualmente atingidos. A Lava Jato trouxe também uma queda no setor naval. Em Niterói, estaleiros eram equipados para manutenção de navios e plataformas. Com a crise da Petrobras, esse segmento se quedou.

Fonte Bibliográfica: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2018/05/21/miseria-triplicada-pessoas-em-extrema-pobreza-saltam-de-143-mil-para-480-mil-em-um-ano-no-rio/

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Desalento recorde limita alta na taxa de desemprego, diz IBGE


4,6 milhões de pessoas desistiram de procurar trabalho, a maioria jovens negros e pardos.


O desalento com o mercado de trabalho bateu recorde e contribuiu para que houvesse redução da taxa de desemprego ao longo dos últimos 12 meses.

O país encerrou o primeiro trimestre deste ano com 4,6 milhões de pessoas nessa condição -aumento de 511 mil no período de um ano. Os dados constam da Pnad Contínua, pesquisa de abrangência nacional do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (17).

Pelos parâmetros da pesquisa, o desalento se caracteriza pelo desânimo em procurar emprego.

A pessoa nessa condição já não acredita que tem oportunidades profissionais. E quem desiste de buscar uma vaga deixa não apenas o mercado de trabalho -é excluído também das estatísticas de desemprego. São considerados desempregados apenas quem toma providências para conseguir trabalho.

Assim, apesar de o desalento indicar a piora do mercado, ele reduz a pressão na taxa de desemprego do país. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desocupação esteve em 13,1%, contra 13,7% de igual período de 2017.

"A desocupação caiu sim, mas caiu em função de aumento do desalento e aumento da população subocupada", afirmou o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo.

Ao longo do ano passado, o país experimentou a redução gradual das taxas de desemprego, baseada principalmente no aumento de trabalhos informais. O indicador, embora apresentasse melhora estatística, mostrava uma piora na qualidade dos postos de trabalho disponíveis no país, já que o emprego com carteira assinada atingiu níveis historicamente baixos. Havia também aumento da procura, o que ocorre neste ano ainda, mas em menor medida.

Se as pessoas que desistiram de procurar ainda estivessem em busca de oportunidade, a taxa de desemprego no país seria maior, explicou o analista da Tendências, Thiago Xavier.

No intervalo de um ano -entre o primeiro trimestre de 2017 e os três primeiros meses deste ano- 487 mil pessoas passaram à condição de desocupados. Esse contingente de pessoas engrossou, portanto, a fila de emprego em volume proporcional justamente ao das pessoas que deixaram de procurar trabalho (511 mil).

O país encerrou o primeiro trimestre deste ano com 13,6 milhões desocupados. Desse total, 3,035 milhões estão na fila há dois anos ou mais.

"Quanto maior o tempo fora, maior a chance de a pessoa deixar o mercado. Existe o efeito psicológico, que emula bem a questão do desalento, que traduz uma ideia de frustração, mas também tem a questão dos custos, já que existe um nível de gasto para se procurar emprego, como condução, alimentação e impressão de currículos", explica Xavier.

O IBGE mostrou que pretos e pardos são maioria entre os que desistiram de procurar emprego, respondendo por 73,1% do contingente total. A maioria (23,4%) dos desalentados têm entre 18 e 24 anos e 38,4%, têm ensino fundamental incompleto.

Há ainda discrepâncias regionais. As regiões Sudeste e Nordeste bateram, no primeiro trimestre deste ano, recorde na série histórica de pessoas desalentadas. Contudo, os estados do Nordeste somaram 2,8 milhões de pessoas nessa condição, enquanto no Sudeste, são 922 mil.

SUBUTILIZADOS

A Pnad mostrou que a taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui os desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais aqueles que desistiram de buscar emprego, também bateu recorde: chegou a 24,7% no primeiro trimestre.

Ao todo, são 27,7 milhões de pessoas nessas condições, o maior contingente desde o início da série, em 2012. Destes, 13,7 milhões procuraram emprego mas não encontraram.

O restante são subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, que são pessoas que trabalham menos horas do que gostariam.
Para Xavier, apesar da melhora dos indicadores de desemprego no ano passado, o mercado ainda resistirá a apresentar melhora consistente.

"As pessoas voltam a procurar emprego quando percebem que a economia está melhor. E para o desemprego melhorar de forma sustentável, precisamos criar vagas para quem está na fila e também para que deixou a fila ou vai ingressar nela em breve, o que não parece ser o cenário que temos à frente", disse.

Fonte da Matéria: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/desalento-recorde-limita-alta-na-taxa-de-desemprego-diz-ibge.shtml

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Após reforma, número de novos processos trabalhistas caiu pela metade

Nova lei, que determina que o trabalhador arque com os custos do processo caso perca a sentença, inibe a busca pela Justiça mesmo em casos em que cabem ações.



Passados quase seis meses da implementação da reforma trabalhista, o número de novos processos na Justiça do Trabalho caiu para quase a metade. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) registraram redução média de 46% dos ajuizamentos em todo país, entre dezembro de 2017 e março deste ano, em comparação ao mesmo período dos anos anteriores. Isso representa, em números absolutos, 381.270 processos a menos nos tribunais regionais.


Para o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho( Anamatra ), Guilherme Feliciano, é preciso analisar com atenção o que ocasionou essa drástica diminuição de judicialização dos conflitos trabalhistas.


“Há uma forte comemoração desses números, principalmente por alguns segmentos da mídia, como se uma das promessas da reforma trabalhista estivesse sendo cumprida: a da redução da litigiosidade. Mas é preciso ver o porquê dessa queda e, a partir daí, verificar se isso é algo positivo ou não”, afirma o magistrado.
A reforma trabalhista entrou em vigor em 11 de novembro do ano passado. Dentre as mudanças estabelecidas está justamente um dos pontos que, segundo os especialistas ouvidos por CartaCapital,pode explicar parte dessa redução no número de ações: a restrição da gratuidade ao acesso à Justiça do Trabalho.

Um dos itens da reforma, que altera mais de 100 pontos da CLT, determina que o trabalhador pague as sucumbências do processo, como honorários periciais e advocatícios, caso a sentença não lhe seja favorável.

Antes da vigência da nova norma, o trabalhador estava isento de quaisquer gastos financeiros procedentes do processo ao assinar documento em que declarava insuficiência de recursos. Tais valores eram pagos pelo próprio Judiciário. Com a reforma, ele passa a ter de provar tal condição.

Para Feliciano, a reforma promove o temor no trabalhador diante das restrições e condições impostas, desestimulando que ele busque seus direitos. “Tudo aquilo que exige uma prova um pouco mais trabalhosa, como provas periciais, o trabalhador teme não conseguir realizar e ter que pagar a perícia e o advogado da empresa no valor correspondente aos honorários”, aponta o magistrado, que conta já ter ouvido relatos como esses de colegas do direito trabalhista durante visita a diferentes regiões judiciais.

“Ter diminuição de litigiosidade de uma forma salutar, como medidas extrajudiciais de solução de conflitos, é uma coisa. Agora, reduzir a litigiosidade infundido o medo nas pessoas é algo completamente diverso, especialmente ao falarmos de trabalhadores pobres, na acepção jurídica do termo, e tendo uma Constituição que prevê a assistência judiciária integral e gratuita a esse tipo de cidadão. Isso é assustador e não é algo a se comemorar.”
A pesquisadora e desembargadora aposentada do TRT 4 Magda Barros Biavaschi concorda com Feliciano. Ela afirma ser uma falácia dizer que a redução de ações nos tribunais significa a redução dos problemas entre empregado x trabalhador ou das chamadas “aventuras judiciais” -- quando um trabalhador processa a empresa tentando receber indenização que sabe não ter direito.


Levantamento no CNJ utilizado nas pesquisas de Biavaschi aponta que 61% da ações que entraram na Justiça do Trabalho em 2016 estão relacionadas à rescisão de contrato e 19% à pagamento de salários e verbas indenizatórias. Ou seja, os motivos reclamados, segundo ela, são direitos mínimos assegurados a todo o trabalhador despedido e que não são cumpridos na maioria das vezes.


“Se olharmos os dados, vemos que as demandas na Justiça do Trabalho são decorrentes do excessivo descumprimento das normas de proteção ao trabalhador”, afirma. Esses contínuos descumprimentos são causados entre outros fatores pela dificuldade de fiscalização nas empresas e multas com valores muito baixas, estimulando o desrespeito às normas trabalhistas.

Feliciano corrobora com a tese: “Se mais da metade das ações buscam verbas rescisórias, convenhamos que os números desmontam a tese de que há na Justiça do Trabalho um grande horizonte de aventuras judiciárias. Além disso, as improcedências totais na Justiça do Trabalho não chegam a 6%, segundo os dados do próprio TST”.


Insegurança jurídica

Além do ônus financeiro, outras hipóteses podem influir na redução da entrada de processos nos tribunais. As idas e vindas da reforma criou tamanha insegurança na visão dos profissionais de direitos que muito escritórios especializados têm uma demanda de ações represadas, aguardando os próximos passos dessa novela.

Na semana passada a medida provisória que alterava vários pontos da própria reforma caducou, deixando um vácuo e uma interrogação sobre qual normativa seguir. Com o fim da validade da MP, o governo estuda alterar por decreto alguns pontos da reforma original.

“Pela insegurança jurídica muitos advogados estão em compasso de espera, aguardando o que o STF vai dizer, especialmente sobre essa questão de acesso à Justiça”. O tema está na pauta do Plenário do Supremo e pode ser apreciado nesta quinta-feira na Ação de Inconstitucionalidade 5766, aberta pelo então procurador-geral da Justiça, Rodrigo Janot.


Diferenças regionais

Se a queda média nacional do número de novos processos é de 46%, a redução registradas em alguns Tribunais Regionais chega a ser em maior. É o caso da Bahia, cujos ajuizamentos diminuíram 59% entre dezembro de 2017 e março do ano passado em comparação ao mesmo período dos anos anteriores.


Outras quatro regiões com as maiores quedas são o TRT da 9ª Região, no Paraná, com 58% menos processos, a 21ª (Rio Grande do Norte), com 57%, a 20ª (Sergipe), com 54% e o TRT da 1ª região, do Rio de Janeiro, com redução de 53%.



“Os números seguem uma constante de queda. Isso numa primeira análise pode estar relacionado com a própria conscientização dos trabalhadores daquela determinada localizada. E também sobre a atuação dos sindicatos daquelas determinadas regiões. Se há uma atuação mais firme ou mais frágil por parte deles”.

Embora considere cedo para fazer uma comparação das jurisprudências seguidas em cada TRT pós Reforma Trabalhista, Costa ressalta que algumas regiões tem uma postura mais protetiva que outras e que “isso influi no ânimos tanto do trabalhador como do advogado que vai propor ação no sentido de saber quais riscos de fato se está correndo”.

Feliciano, por sua vez, indaga sobre a influência da imprensa na iniciativa ou falta de iniciativa do trabalhador em buscar a Justiça. “Talvez isso dependa muito da jurisprudência em cada um dos tribunais ou da maneira como a mídia tratou da questão nessas regiões”.

Coincidências ou não, foi em Ilhéus, na Bahia --TRT top 1 em queda do número de novos processos-- a primeira sentença trabalhista que aplicou a reforma, condenando o trabalhador a pagar honorários do advogado.

Já no Rio Grande do Norte, que ocupa a terceiro posição na redução dos processos, o Tribunal Regional do Trabalho homenageou o relator da Reforma Trabalhista na Câmara, o deputado Rogério Marinho, do PSDB, dando-lhe a Medalha do Mérito Djalma Marinho.


Fonte:  https://www.cartacapital.com.br/politica/Apos-reforma-numero-de-novos-processos-trabalhistas-caiu-pela-metade

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Reformas trabalhistas remetem à escravidão, diz Pastoral Operária

Organização ligada à Igreja denuncia "a supremacia do poder econômico que torna o capital mais importante que os seres humanos". CNBB também afirma que solução para o país não pode atingir direitos

'Reforma' de Temer facilita precarização do trabalho como praticado há séculos por setores patronais

São Paulo – Em manifesto relativo ao 1º de Maio, a Pastoral Operária afirma se unir ao clamor por direitos que estão sendo extintos. "Esses direitos, conquistados ao longo de nossa história, resultaram de muitas lutas da classe trabalhadora", afirma a organização, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e presente em 61 dioceses de 14 estados.


“Após mais de um século de conquistas, nos deparamos, hoje, com reformas trabalhistas que nos remetem a condições semelhantes ao tempo da escravidão”. A classe trabalhadora sofre o impacto negativo dessas reformas impostas pelo governo Temer e por grandes empresários'', acrescenta a Pastoral, recordando, '' com afeto especial, todas as pessoas que tiveram suas vidas ceifadas para a classe trabalhadora ter melhores condições de trabalho e para que todos neste país vivam com dignidade''.

As reformas citadas não criam empregos anunciados, "achatam salários, tornam as condições de trabalho mais inseguras, eliminam convenções coletivas, fragilizam as organizações sindicais e penalizam sobretudo os setores mais vulneráveis da classe trabalhadora". Na nota, a Pastoral diz ainda ser inadmissível que os trabalhadores se submetam "aos que saqueiam seus direitos, concentram riquezas e geram miséria", denunciando "a supremacia do poder econômico que torna o capital mais importante que os seres humanos".


Confira aqui a íntegra da nota.

A CNBB também divulgou mensagem aos trabalhadores, afirmando que "trabalho não é mercadoria, mas um modo de expressão direta da pessoa humana". 

"Ao Estado compete cuidar para que as relações de trabalho se deem na justiça e na equidade", acrescenta a nota. "A solução para a crise, que abate o País, não pode provocar a perda de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Nos projetos políticos e reformas, o bem comum, especialmente dos mais pobres, e a soberania nacional devem estar acima dos interesses particulares, políticos ou econômicos."

Leia aqui na íntegra o texto da CNBB.


Fonte : http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/05/reformas-trabalhistas-nos-remetem-a-escravidao-diz-pastoral

quinta-feira, 8 de março de 2018

IBGE: Mulher estuda mais, trabalha mais e ganha menos do que o homem


As mulheres trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Mesmo assim, e ainda contando com um nível educacional mais alto, elas ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. Estes e outros dados foram divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (7), no estudo "Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil".

Mais horas de trabalho, menos remuneração

Vários fatores contribuem para as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Em 2016, as mulheres dedicavam, em média, 18 horas semanais a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, 73% a mais do que os homens (10,5 horas). A diferença chegava a 80% no Nordeste (19 contra 10,5). Para o IBGE, isto explica, em parte, a proporção de mulheres ocupadas em trabalhos por tempo parcial, de até 30 horas semanais, ser o dobro da de homens (28,2% das mulheres ocupadas, contra 14,1% dos homens).

"Em função da carga de afazeres e cuidados, muitas mulheres se sentem compelidas a buscar ocupações que precisam de uma jornada de trabalho mais flexível", explica a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Bárbara Cobo, complementando que "mesmo com trabalhos em tempo parcial, a mulher ainda trabalha mais". "Combinando-se as horas de trabalhos remunerados com as de cuidados e afazeres, a mulher trabalha, em média, 54,4 horas semanais, contra 51,4 dos homens."

 IBGE: responsabilidade por tarefas domésticas afeta inserção das mulheres no mercado de trabalho

Mesmo trabalhando mais horas, a mulher segue ganhando menos. Apesar da diferença entre os rendimentos de homens e mulheres ter diminuído nos últimos anos, em 2016 elas ainda recebiam o equivalente a 76,5% dos rendimentos dos homens. Uma combinação de fatores pode explicar essa diferença. Por exemplo, apenas 37,8% dos cargos gerenciais eram ocupados por mulheres; essa diferença aumentava com a faixa etária, indo de 43,4% de mulheres em cargos de chefia no grupo até 29 anos de idade até 31,3% no grupo de 60 anos ou mais.

Outros aspectos, como a segregação ocupacional e a discriminação salarial das mulheres no mercado de trabalho, podem contribuir para a diferença de rendimentos. “Observamos o que se chama de teto de vidro, ou glass ceiling”, explica Bárbara Cobo. “A mulher tem a escolarização necessária ao exercício da função, consegue enxergar até onde poderia ir na carreira, mas se depara com uma ‘barreira invisível’ que a impede de alcançar seu potencial máximo”. Na categoria de ocupação com nível superior completo ou maior, a diferença era ainda mais evidente: as mulheres recebiam 63,4% do rendimento dos homens em 2016.
Mulheres têm maior escolarização

Em 2016, as mulheres de 15 a 17 anos de idade tinham frequência escolar líquida (proporção de pessoas que frequentam escola no nível de ensino adequado a sua faixa etária) de 73,5% para o ensino médio, contra 63,2% dos homens. Isso significa que 36,8% dos homens estavam em situação de atraso escolar.

Na desagregação por cor ou raça, 30,7% das pretas ou pardas de 15 a 17 anos de idade apresentaram atraso escolar em relação ao ensino médio, face a 19,9% das mulheres brancas. Comparando-se gênero e cor ou raça, o atraso escolar das mulheres brancas estava mais distante do registrado entre os homens pretos ou pardos (42,7%).

Essa trajetória escolar desigual, relacionada a papéis de gênero e à entrada precoce dos homens no mercado de trabalho, faz com que as mulheres tenham um maior nível de instrução. Na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% das mulheres tinham completado a graduação, contra 15,6% dos homens.

Desagregando-se a população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo por cor ou raça, as mulheres brancas estão à frente, com 23,5%, seguidas pelos homens brancos, com 20,7%; bem abaixo estão as mulheres pretas ou pardas, com 10,4% e, por fim, os homens pretos ou pardos, com 7,0%.


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Emprego formal encolhe no Brasil pelo terceiro ano seguido

Emprego formal encolhe no Brasil pelo terceiro ano seguido


Economia brasileira fechou 20.832 postos de trabalho com carteira assinada em 2017. Nos últimos três anos são 2,88 milhões de empregos a menos

O mercado de trabalho brasileiro encolheu pelo terceiro ano seguido, com o fechamento de 20.832 postos de trabalho com certeira assinada ao longo de 2017. Desde 2015, quando as demissões passaram a superar as contratações, a economia brasileira perdeu 2,87 milhões de empregos formais. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira 26 pelo Ministério do Trabalho.

O saldo negativo do ano passado é a diferença entre as contratações o número de contratações, 14.635.899, e as demissões, 14.656.731. Mesmo assim, o resultado do ano passado foi o melhor em três anos, desde 2014, quando o saldo entre postos de trabalho abertos e fechados foi positivo em 420,69 mil.

Com o corte de vagas em 2017, o Brasil fechou o ano com um estoque de 38,29 milhões de empregos formais existentes. Esse é o estoque mais baixo desde o final de 2011, quando 38,25 milhões de pessoas ocupavam empregos com carteira assinada no país. Ao final de 2016, o Brasil tinha 38,32 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada.

Para o Ministério do Trabalho, no entanto o resultado de 2017 significa estabilidade do emprego no país. "É um resultado que veio dentro das expectativas. Todas as estimativas de mercado apontavam para algo próximo da estabilidade no emprego", avaliou o coordenador-geral de Estatística do ministério, Mário Magalhães.

Apenas no mês de dezembro houve o fechamento de 328.539 vagas, resultado de 910.586 admissões e 1.239.125 desligamentos. 


Mais mulheres demitidas


Os números do Caged mostram, ainda, que as mulheres foram mais atingidas pelo desemprego no ano passado: o número de demissão de mulheres superou o de contratações em 42.526 postos. Já para os homens, o resultado ficou positivo no ano passado: foram 21.694 vagas abertas a mais do que fechadas.

Segundo o levantamento, o comércio liderou a geração de empregos, com saldo positivo de 40.087 novos postos de trabalho. Em 2016 e 2015, houve perda de 197.495 e 212.756 vagas, respectivamente.

A agropecuária encerrou o ano de 2017 com saldo positivo de 37.004 postos. No ano anterior, o resultado foi negativo de 14.193 postos.

O setor de serviços registrou saldo positivo de 36.945 postos, interrompendo tendência de queda observada em 2016 e 2015 (392.574 e 267.927, respectivamente).

Na construção civil, o ano foi encerrado com saldo negativo de 103.968 vagas, ante quedas de 361.874 e 416.689 identificadas em 2016 e 2015.

No setor de indústria da transformação, houve redução de 19.900 postos, retração menor que a observada nos dois anos anteriores (324.150, em 2016, e 612.209 em 2015).

O Centro-Oeste e o Sul do país apresentaram saldo positivo de emprego, da ordem de 36.823 e 33.395 vagas, respectivamente, ante resultados negativos de 66.410, em 2016, e 64.887, em 2015, no Centro-Oeste e 147.191 em 2016 e 229.042 em 2015 no Sul.

Já as demais regiões do Brasil apresentaram saldo negativo, sendo o Sudeste com 76.600 postos, o Nordeste com 14.424 vagas e o Norte com 26 vagas. Nos anos de 2016 e 2015, os saldos negativos foram de 791.309 e 892.689, no Sudeste; 242.659 e 251.260 no Nordeste e 78.989 e 97.111 no Norte.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Funcionários da saúde municipal farão greve contra possível corte de orçamento

Os sindicalistas exigem uma audiência com o prefeito Marcelo Crivella para discutir as questões orçamentárias

Rio - Profissionais que atuam nas 227 unidades de atenção primária da Prefeitura do Rio, que inclui postos de saúde e clínicas da família, pretendem cruzar os braços na próxima quinta-feira em protesto contra um possível corte de 20% no orçamento destinado à saúde para 2018. O anúncio foi feito na manhã deste sábado após uma reunião que envolveu o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed/RJ) e a Associação de Medicina da Família e Comunidade do Rio de Janeiro (AmFAC-RJ), na sede do sindicato.

Segundo o presidente do SinMed/RJ, Leoncio Feitosa, a decisão pela greve foi tomada em uma assembleia da categoria realizada na última quinta-feira, que reuniu cerca de 240 trabalhadores, que votaram de forma unânime pela paralisação. Os sindicalistas exigem uma audiência com o prefeito Marcelo Crivella para discutir as questões orçamentárias.

Feitosa afirmou que as unidades de saúde não serão fechadas, mas que o número de funcionários estará reduzido durante o período de greve. Ainda segundo ele, a paralisação não afetará o atendimento ambulatorial e de emergência dos hospitais municipais. “ Queremos defender o usuário do sistema de saúde, então iremos dialogar com a população para explicar a proposta do movimento e o que os pacientes têm a ganhar com a nossa luta. O programa da Saúde da Família talvez seja um dos mais exitosos dos últimos anos”, comentou.

Além do atendimento ambulatorial prestado aos pacientes, as unidades realizam vacinações e exames como ultrassonografia, raios-x, eletrocardiograma e laboratoriais: sangue, urina e fezes. As clínicas também realizam pré-natal e o teste do pezinho nos bebês. Segundo dados do sindicato, no ano passado as equipes de atenção primária da prefeitura realizaram 4.996.198 atendimentos e 8.243.867 visitas domiciliares. Atualmente, 1.294 equipes atuam na rede pública do Rio, atendendo 70,63% da população. Os atendimentos primários, teriam sido responsáveis pela redução da mortalidade por doenças cerebrovasculares (infarto e Acidente Vascular Cerebral) para 25,6% em adultos no ano passado. Em 2008, antes da expansão do programa, a taxa de mortalidade era de 34,6%.

A médica Valeska Antunes, que atende pacientes em situação de rua, disse que faltam materiais básicos de trabalho em algumas unidades. “Faltam insumos e alguns analgésicos básicos, como a Dipirona. As pessoas de baixa renda não dispõem de recursos para comprar medicamentos”, comentou. Além das péssimas condições de trabalho, os médicos denunciam que alguns salários e benefícios estão atrasados e, com o possível corte no orçamento, a categoria teme por atrasos ainda maiores nos vencimentos dos trabalhadores contratados por Organizações Sociais.

Na quinta-feira, os sindicalistas pretendem acompanhar uma audiência pública a ocorrer na Câmara dos Vereadores a fim de discutir o orçamento da saúde para o ano que vem. Segundo a diretora do Sinmed, Mayá Puertas, a falta de verbas também pode colocar em risco a segurança dos profissionais. Ontem pela manhã, uma médica do Hospital Municipal Souza Aguiar teria sido agredida por um paciente que teria ficado irritado com a informação de que receberia alta. “Nesses casos o sindicato pode dar apoio psicológico e jurídico ao profissional. Por conta de episódios como esse que defendemos melhores condições de trabalho e investimentos para o setor”, comentou.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que trabalha em conjunto com a Secretaria Municipal de Fazenda para fazer repasses às organizações sociais responsáveis pela gestão das clínicas de família e que cabe a elas administrarem os equipamentos de saúde sem trazer prejuízos à população.